0 GOFashion- Uma visão objetiva e simples sobre a moda

 


  “É preciso haver uma reformulação de todos os conceitos que envolvem a moda”. O misto de afirmação e sugestão foi feito pelo renomado estilista Walter Rodrigues, um paulista que ama o Rio de Janeiro e, acima de tudo, ama o Brasil e acredita que o País é um rico fator de inspiração para a moda. Walter Rodrigues conta que o Brasil passa por um momento de evolução, que acompanha uma tendência internacional. “Em São Paulo isto já está acontecendo há algum tempo, mas Goiás ainda terá que reformular seu conceito e absorver esta nova ideia de que lançamentos de coleções não deve ser sazonais. Há uma mudança na logística dos estoques e várias micro coleções têm que ser lançadas ao longo do ano. Estamos falando do movimento Fast Fashion, que nasceu com a HM, na Europa, chegou ao Brasil com a Zara e já foi incorporado por empresas como a Renner, a C&A e a Riachelo”, explicou o talentoso estilista.

          Segundo ele, o sucesso de uma grife está diretamente ligado a uma palavra: foco. Ou seja, é necessário focar todo o processo de criação em um público alvo, que é o consumidor de determinada marca. “A moda, a meu ver, é simples, atemporal e o que deve ser levado em conta é apenas o desejo do consumidor. O empresário que conhecer bem seu público e produzir com intenção de satisfazer seus desejos vai ser sempre bem sucedido”, comentou Walter Rodrigues. Conhecer o seu cliente, no entanto, não é apenas saber que tipo de roupa ele gosta. É ir além. “Estilo de vida não é só a roupa que você usa, é a musica que você ouve, o livro que escolhe para ler, os locais para os quais viaja, enfim, o conceito de life style não se limita à roupa. O varejo tem que saber o desejo de seu cliente com base no seu estilo de vida e, a partir daí, planejar. Quanto mais você planeja, menos erra e errar é prejuízo, algo que nenhum empresário quer”, revela o estilista, resumindo que o sucesso de uma marca é saber focar no desejo do cliente.

          Para Walter Rodrigues não existe o que deve ou não estar na moda. “Tudo está na moda. Depende de para quem você faz. A saia godê, por exemplo, nunca deveria sair de moda porque cai bem na brasileira, que é um tipo mulher que tem quadril largo. É uma peça que deve ser permanente no guarda-roupa da brasileira”, disse o estilista, aproveitando para falar sobre tendências para a coleção de verão, onde o rosa lidera soberano. “A moda tem uma relação inversa com a economia. Em tempos de crise é preciso colorir a moda para levantar o astral. Quando a economia está boa dá para utilizar cores mais neutras, tecidos como o linho e cortes mais básicos. Como estamos passando por um período de crise, é hora de levantar o humor das pessoas e a próxima coleção vem colorida, mas também conta com cores pastéis extremamente diluídas, suavizando o calor do verão”, comentou.

Walter Rodrigues destaca, no entanto, que o mais bacana na moda, que a torna moderna e interessante, é jogar com as peças, brincar com elas, abusar da liberdade e ousar na desconstrução. “É aquela história de colocar uma calça da C&A com uma camisa da Dolce Gabanna, ou uma havaiana com uma calça Diesel. Temos que perceber o que cai bem na gente e seguir uma tendência mundial que chamo de consumo inteligente, ou seja, o famoso ‘high/low’. Peças de grifes aliadas a peças econômicas que acabam construindo um visual bem legal”, comentou o simpático estilista.

Ele falou ainda sobre itens que estão na moda, entre os quais os sneakers, que, na opinião dele, são esquisitos, mas estão virando febre. “Eu particularmente não gosto, mas não há como negar a criatividade do brasileiro, que decodifica sinais sem copiar, como foi feito com estes calçados”, afirmou. O estilista disse que está na hora de quebrar alguns paradigmas, como o de que o couro só pode ser usado no inverno. “O couro é térmico. Mais leve e em cores claras pode também ser usado no verão”, disse, completando, ainda, que quanto ao assunto é calça jeans há uma corrente contrária à moda das periguetes, que prioriza a personalização do jeans. “O jeans não precisa ser justo como o das periguetes. Ele pode ser usado para contar a história da sua vida, daí vem à customização”.

Alvo dos olhares atentos das pessoas que lotaram o auditório do GOFASHION, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia, o estilista encerrou a palestra lembrando que o sonho de todo designer de moda é que o chefe o envie para Paris, Londres ou Milão. “Convido vocês, entretanto, a passear pelo Brasil. O verão no Rio, por exemplo, é lindo. Você pode até ir a Londres, mas vá vestido de brasileiro!”, encerrou, sendo extremamente aplaudido.

         

Quem é o multifacetado Walter Rodrigues

Walter Rodrigues, um dos nomes mais fortes do line-up do Fashion Rio, se interessa por moda desde criança. O estilista nasceu em Herculândia, interior de São Paulo, e cresceu em Tupã (SP), de onde saiu em 1983, para realizar o seu sonho na capital paulista, onde atuou como produtor da revista Manequim, da Editora Abril. No ano seguinte, passou seis meses dedicando-se à equipe de estilo da Cori. Em 1984 se tornou assistente de Clô Orozco, na Huis Clos. Nos dois anos que se seguiram, Walter dividia seu tempo entre a criação na Huis Clo e o estúdio do fotógrafo Miro. Em 1986, começa a trabalhar na Cooperativa de Moda, com Jum Nakao e Conrado Segreto. Em 1992 lançou a marca que leva seu nome juntamente com Aurea Yamashita. Hoje focaliza seu trabalho na pesquisa de novos materiais têxteis sejam eles em microfibra de poliamida ou seda com lycra.Suas roupas são desenvolvidas pela técnica de moulage, o que lhe propicia formas bem estudadas, volumes e movimentos que redesenham o corpo feminino. Suas coleções era marcadas por tecidos finos, cortes precisos e sofisticados, acabamento de primeira. Outro ponto forte de Walter Rodrigues é não ter medo da tecnologia. Vez por outra, surge um tecido com uma textura diferente em suas coleções. O artesanal é muito bem vindo e só agrega ao repertório do paulista.

Nas passarelas do Fashion Rio, Walter declarou todo o seu amor pelo Japão, que influenciou muitas coleções do designer, que já mostrou seu trabalho no São Paulo Fashion Week e na semana de moda de Paris. Além do Japão, o estilista levou sua moda para visitar a China (verão 2009) e a África (verão 2011), quando colocou um casting só de modelos negros no palco. Walter também usa muito bem o Rio de Janeiro como cenário para exibir suas criações. A Casa França-Brasil, a Cinelândia e o Real Gabinete Português, por exemplo, foram algumas das locações em que se apresentou.

Walter Rodrigues é conhecido pelos seus vestidos fluídos e longilíneos, inspirados nas silhuetas dos anos 30 e no seu fascínio pela cultura oriental. Suas coleções são comercializadas em lojas de multimarcas em todo o Brasil, dividindo espaço com outras marcas nacionais e internacionais como John Galliano, Alberta Ferreti, Alexander McQueen, Dolce-Gabanna, Atsuro Tayama, Issey Miyake ; no seu showroom em São Paulo, cria vestidos únicos para ocasiões especiais.

Seu interesse por criação surgiu desde garoto. Gostava de pesquisar e descobrir novos caminhos, nas artes em geral e a história do homem. Pensou em ser museólogo ou mesmo antropólogo, mas descobriu a moda, e que ela é um pouco disso tudo. Walter acredita que o futuro da moda está na tecnologia, pois as formas e estruturas das roupas, pouco mudaram neste último século. A pesquisa é primordial para o descobrimento de novas matérias, novos tingimentos e acabamentos para impulsionar os caminhos da moda. Ele associa seu sucesso ao fato de ser uma pessoa privilegiada, pois trabalha com aquilo que gosta.

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